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Bancos investem em exposições de arte para fortalecer marca

Por Guilherme Dearo, da EXAME

São Paulo - Os bancos também amam Picasso, Miró, Dalí... 

É o que aponta, pelo menos, os ótimos e recentes exemplos de parcerias entre instituições financeiras e exposições de arte.

Nos últimos meses, se multiplicaram pelo Brasil grandes mostras que atraíram multidões e criaram filas quilométricas. Sim, os brasileiros também amam Picasso, Miró, Dalí...

Começa hoje (24), por exemplo, a exposição do catalão Joan Miró em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake. O projeto tem patrocínio do Bradesco. A Arteris também é uma das parceiras.

Antes, também no Tomie Ohtake, a exposição do surrealista Salvador Dalí contou com apoio do Banco do Brasil e bateu o recorde de público da instituição, com mais de 537 mil visitantes.

Já no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, o hit da temporada é Pablo Picasso. Parceria, claro, do Banco do Brasil.

Também do CCBB, teve o russo Wassily Kandinsky em Brasília (que depois foi para Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em julho chega a São Paulo).

Para os bancos, é importante apoiar as artes como forma de agregar novos valores à sua marca e se ligar ao mundo da cultura, fugindo um pouco do mundo das finanças.

Luis Aniceto Silva, Diretor de Estratégia da Marca do Banco do Brasil, conversou com Exame.com e explicou por que é interessante para os bancos patrocinarem exposições de arte:

EXAME - Por que é importante para um banco manter contato com as artes, não apenas com o mundo das finanças?

Luis Aniceto Silva - Em um mundo onde as pessoas são cada vez mais exigentes e críticas, as empresas precisam adotar estratégias de diferenciação, especialmente no segmento bancário, onde a oferta de produtos e serviços tende a ser muito parecida. Nesse sentido, o incentivo à cultura se configura como importante ferramenta de geração de experiências positivas, oferecendo visibilidade de marca.

EXAME - Como a relação com a arte ajuda na construção da imagem e da marca da empresa? Quais valores e símbolos são agregados?

A marca é o maior fator de diferenciação de uma empresa no ambiente de competição, pois sabemos que ela carrega toda a identificação, significado e atribuição de responsabilidade para o consumidor, o que demonstra que o cliente, inconscientemente, simplifica suas decisões de compra pautadas por experiências anteriores com todos os pontos de contato com a marca.

Por isso, entendemos que o investimento em cultura contribui para o fortalecimento da marca Banco do Brasil e para a imagem de instituição que valoriza e investe no acesso e na formação cultural dos cidadãos brasileiros. O crescimento constante de público revela a receptividade que os CCBBs possuem e fazem com que suas realizações permaneçam nos rankings das principais instituições culturais mais visitadas do mundo.

EXAME - Como se deu o patrocínio do Banco do Brasil no caso da atual exposição do Picasso em São Paulo? E do Kandinsky em Brasília?

A exposição "Kandinsky" é um exemplo de um excelente projeto, selecionado por meio de nosso edital e que está circulando por todos os CCBBs. Iniciada no CCBB Brasília em 2014, a exposição já passou pelo Rio de Janeiro, está atualmente em Belo Horizonte e chega a São Paulo em julho deste ano.

Além da seleção por meio do edital, as equipes de cada CCBB estão constantemente buscando projetos importantes para compor a programação. Para isso, ao se analisar uma proposta de patrocínio cultural, a ficha técnica do projeto é sempre muito relevante, assim como as credenciais das empresas proponentes. No caso de “Picasso e a Modernidade Espanhola”, o projeto foi negociado diretamente com o Museu Reina Sofia para complementar a grade de exposições dos CCBBs SP e RJ.

EXAME - Quais são os retornos trazidos da exposição de arte para a empresa? 

Essa estratégia traz resultados pela experiência do público com a marca BB, pois as ações permitem estreitar o relacionamento, além de gerar experiência positiva proporcionada pela ambiência, criando a percepção de que o visitante é especial, seja ele cliente ou não. As ações realizadas nos Centros Culturais Banco do Brasil nos aproximam da sociedade em geral e esses investimentos têm apresentado resultados expressivos.

Atualmente, os CCBBs Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte são líderes de público no ranking nacional e internacional de museus e centros culturais, segundo a revista britânica The Art Newspaper. Agora, manter a qualidade da programação e o alinhamento com nossa essência, por meio de um modelo de financiamento sustentável, é o atual desafio.