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São Paulo ganha primeiro espaço criativo voltado ao público de moda

O conceito de coworking também chegou à moda. Mas ainda parece algo novo para os fashionistas. Mesmo assim, Fábio Uehara, 35, aposta no poder transformador da colaboração e conscientização e abre as portas do Lab Fashion, um espaço dedicado a repensar o consumo da moda

Localizado à três quilômetros dos cinco principais centros educacionais do setor (IED, FAAP, Santa Marcelina, Escola São Paulo e Panamericana), na Rua Dona Antônia de Queirós, 474, conjunto 16, bairro Consolação, em São Paulo, o local disponibiliza máquinas de costura, mesa de corte e um estúdio para gravar editoriais. Profissionais e estudantes que querem criar, produzir e compartilhar conhecimentos com mais autonomia podem utilizar o Lab Fashion no mesmo esquema de coworking, ou, dependendo do projeto, se for uma iniciativa não comercial, não precisará pagar.

coworking

¨São ferramentas pequenas mas que dão opções, principalmente para os estudantes, que muitas vezes não tem espaço para criar¨, conta Uehara. ¨A maioria quando sai do curso não encontra colocação no mercado de trabalho ou vai para a indústria massificada que copia muito. Temos tanta riqueza cultural, que não teria essa necessidade de fazer tudo igual, mas esse sistema é cruel. Hoje quando se compra uma roupa ninguém consegue criar seu próprio estilo porque é imposto o jeito de vestir do mercado e os estudantes acabam sendo vítimas porque eles querem criar, mas ninguém compra as ideias deles¨.

Uehara nasceu numa família de costureiros que passou a trabalhar no varejo e hoje é ativista a favor de colocar luz sobre os processos produtivos da cadeia da moda. ¨Luto por uma causa que é a mudança na cadeia textil, que, mesmo sendo uma das mais antigas do mundo e mais lucrativas, carrega problemas da época da revolução pré-industrial, tais como: trabalhadores que vivem numa situação análoga à escravidão e o título de segunda maior poluidora do mundo, só perde para o petróleo¨, diz.

¨Muitas das informações não aparecem porque é tudo muito informal. Por isso minha proposta é conscientizar pelo consumo, o consumidor tem a decisão. Hoje, dez grupos principais comandam as lojas nos shoppings de classe média alta de São Paulo. Na produção em escala mundial, a margem de lucro de algumas empresas chega a 700%, porque uma calça feita em Bangladesh com o custo de US$ 6 dólares é vendida por R$ 500 aqui, após colocarem uma etiqueta.¨

Mapa marcas os pólos texteis do Brasil

Para Uehara, os consumidores podem fazer os preços baixarem ao exigirem e lutarem por seus direitos. ¨Hoje é mais barato comprar roupas nos Estados Unidos, na Europa e até no Japão do que aqui. Até mesmo marcas brasileiras do mesmo nível das internacionais são mais baratas lá fora. Já os varejistas populares vendem peças com material precário e mal feitas, que já saem da loja com data de validade.¨

Além de fazer análises mais profundas sobre o setor, Uehara afirma que a pequena indústria poderia fazer um trabalho com mais qualidade se tivesse mais subsídio, se fosse menos explorada pelas grandes marcas, com um sistema de lucro compartilhado e se tivesse mais boa vontade do governo em organizar a cadeia que, atualmente, envolve muita tercerização.

O espaço oferece também uma agenda de eventos aberta ao público. Confira abaixo a programação dos próximos meses.