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"Tecnologia pode criar classe de 'super-humanos'", diz especialista

harari

O escritor e historiador Yuval Noah Harari, autor dos best-sellers Sapiens: Uma breve história da humanidade (L&PM) e Homo Deus: Uma breve história do amanhã (Companhia das Letras, diz acreditar que, em um futuro próximo, a tecnologia criará uma população de super-humanos. Por outro lado, essa evolução também resultará na formação de uma “gigantesca subclasse de pessoas ‘inúteis’”.

A afirmação do professor de história da Universidade Hebraica de Jerusalém foi feita durante o programa The Inquiry, da BBC. “Com rápidos avanços em biotecnologia e bioengenharia, nós podemos chegar a um ponto em que, pela primeira vez na história, desigualdade econômica se torne desigualdade biológica”, afirmou Harari.

De acordo com o escritor, há duas maneiras para aprimorar humanos. Uma delas é alterar algo em sua estrutura biológica por meio de mudança no DNA. A outra é mais radical e exige combinar partes orgânicas e inorgânicas. “Conectando diretamente cérebros e computadores.”

Para ele, esse avanço tecnológico pode criar uma das sociedades mais desiguais na história da humanidade. “Os ricos, ao adquirir tais melhorias biológicas, poderiam se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e com vidas mais longas. Nesse ponto, será fácil que essa classe ‘aprimorada’ tenha poder.”

Durante o programa da BBC, Harari defendeu ainda que a ascensão da inteligência artificial pode fazer com que significativa parcela da sociedade, em vários tipos de emprego, deixem de ter utilidade na economia.

“Os dois processos casados - aprimoramento humano e ascensão de inteligência artificial - podem resultar na separação da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma gigantesca subclasse de pessoas ‘inúteis’”, afirmou o escritor no The Inquiry.

Como exemplo concreto, Harari citou o sistema de transporte. “Há centenas de motoristas de caminhões, táxis e ônibus no Reino Unido. Cada um deles comanda uma pequena parte do mercado de transporte, e todos ganham poder político em função disso. Eles podem se sindicalizar e, se o governo faz algo que não gostam, eles podem fazer uma greve e travar todo o sistema. Agora, avance 30 anos no tempo. Todos os veículos conduzem a si próprios e uma corporação controla o algoritmo que comanda todo o mercado de transporte. Todo o poder econômico e político previamente compartilhado por milhares agora está nas mãos de uma única corporação. Depois que você perde sua importância econômica, o Estado perde ao menos um pouco do incentivo de investir em saúde, educação e bem-estar. Seu futuro dependeria da boa vontade de uma pequena elite.”